Unum propõe estrutura autónoma para reformar arbitragem portuguesa

Foto: Record
O movimento Unum colocou em discussão um pacote de 17 medidas para reformar a arbitragem profissional em Portugal. Entre as propostas estão a criação de uma estrutura operacional autónoma, a profissionalização integral dos árbitros, a adoção simultânea do fora-de-jogo semiautomático em todos os estádios da Liga Portugal Betclic e novas regras de transparência na avaliação e utilização do VAR.
Uma estrutura separada para a arbitragem profissional
A proposta central passa por criar uma entidade operacional autónoma dedicada à arbitragem profissional. O modelo apresentado prevê direção própria, orçamento definido e mecanismos específicos de governação.
A intenção declarada é reduzir zonas de dependência e reforçar a perceção de independência num setor frequentemente envolvido em polémicas públicas. O documento também aborda incompatibilidades e pretende limitar ligações que possam criar dúvidas sobre a neutralidade das decisões.
A ideia não significa necessariamente retirar a arbitragem de todo o enquadramento federativo, mas criar uma camada de gestão mais separada das restantes estruturas do futebol profissional.
Fora-de-jogo semiautomático em todos os estádios
Outra medida de destaque é a implementação do fora-de-jogo semiautomático. O Unum defende que a tecnologia seja instalada e utilizada em simultâneo em todos os estádios da Liga Betclic, com financiamento assegurado pela Federação Portuguesa de Futebol.
A simultaneidade é um ponto relevante. Introduzir a tecnologia apenas em alguns recintos criaria condições diferentes dentro da mesma competição. Ao propor adoção total, o movimento procura garantir que a ferramenta seja aplicada com o mesmo padrão em todas as jornadas.
O sistema não elimina a decisão humana, mas acelera a identificação de posições de fora-de-jogo e reduz o tempo necessário para construir linhas manualmente em situações mais apertadas.
Profissionalização e critérios públicos
O documento também propõe profissionalização integral dos árbitros das competições profissionais. O objetivo é criar condições de preparação, disponibilidade e avaliação mais próximas das exigências impostas a jogadores e equipas técnicas.
Além disso, o Unum quer maior divulgação dos critérios de classificação e avaliação. A arbitragem é frequentemente discutida com base em decisões individuais, mas pouco do sistema de avaliação interna chega ao público. Tornar esses critérios mais claros poderia ajudar a separar erro técnico de simples discordância interpretativa.
Outra proposta é criar um painel independente para analisar lances relevantes e reforçar os mecanismos de transparência associados ao VAR.
Porque é que isto importa
A discussão sobre arbitragem em Portugal raramente se limita ao que acontece dentro do campo. Nomeações, classificações, comunicação, tecnologia e governação fazem parte do debate e afetam a confiança dos clubes e adeptos.
Um pacote de reforma estrutural tenta atuar precisamente nessas camadas. A eficácia das medidas dependerá, no entanto, de dois fatores: quem terá poder real de decisão e como serão definidos os mecanismos de responsabilização.
Independência sem prestação de contas pode criar apenas outra estrutura opaca. Transparência sem capacidade operacional também pode limitar-se à publicação de mais informação sem alterar a qualidade das decisões.
Debate aberto antes da versão final
A primeira sessão pública do projeto reúne figuras ligadas ao universo benfiquista, especialistas e antigos protagonistas do futebol. Entre os participantes anunciados estão António Mexia, António Simões, José Eduardo Martins, Jaime Cancella de Abreu e Vanda Jesus.
O programa inclui ainda um debate com Juan Ignacio Gallardo, diretor do jornal espanhol Marca, e Pedro Henriques, antigo árbitro internacional. Steven Gerrard e Alan Shearer também são apontados como participantes na iniciativa.
Segundo o plano apresentado, esta primeira versão não é definitiva. O objetivo é recolher contributos de especialistas e adeptos antes de entregar a proposta final à direção do Benfica e às entidades responsáveis pela organização e regulação do futebol português.
O passo decisivo será institucional
As 17 medidas podem abrir discussão, mas a implementação dependerá de quem regula efetivamente as competições. Federação, Liga, Conselho de Arbitragem e clubes terão de convergir em matérias que mexem com orçamento, competências e poder de decisão.
O valor imediato da iniciativa está em transformar críticas recorrentes numa lista concreta de propostas. A partir daqui, o debate deixa de ser apenas sobre um lance ou uma jornada e passa a incluir a arquitetura do próprio sistema de arbitragem.
Reformulado a partir de notícia publicada por Record. Ver artigo original ↗