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Super XV divide receitas inéditas e renova fase final

Redação footballtrend·
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Foto: Record_Portugal

O Super XV apresentou esta terça-feira à noite no Palácio do Chiado, em Lisboa, um novo formato competitivo que marca a transformação mais profunda da prova em anos. A reforma estrutural inclui um modelo de negócios com parceiro tecnológico, transmissão em streaming de todos os encontros e, pela primeira vez na história do campeonato nacional de râguebi, receita que reverte diretamente para os clubes participantes. O parceiro vai investir cerca de 400 mil euros em conteúdos audiovisuais durante dois anos, enquanto a partir do terceiro ano da parceria, 30% da receita obtida será distribuída entre os clubes a título de prémio em dinheiro.

O que aconteceu

A primeira fase do Super XV passará a contar com 12 clubes — Benfica, Cascais, Direito, Belenenses, CDUL, São Miguel, Agronomia, Técnico, Académica, CDUP, RC Santarém e AR Setúbal — que disputarão um campeonato todos contra todos numa única volta, perfazendo 11 jornadas. Os oito primeiros classificados apuram-se para a fase final, que adota um sistema de concentração de jornadas em data e local único.

A fase final do Super XV organiza-se em dois grupos de quatro clubes, com um total de três jornadas concentradas. As meias-finais e a final decorrem em estádio com capacidade mínima de dez mil lugares, em regime de final four, ou seja, com ambas as partidas decisivas disputadas no mesmo fim de semana em campo neutro.

Todas as partidas serão transmitidas em streaming através do site oficial do campeonato, permitindo acesso generalizado aos encontros. O formato procura intensificar o envolvimento do público e criar oportunidades para exploração de conteúdos audiovisuais em torno do evento desportivo.

As declarações e a estratégia de financiamento

Luís Lança de Morais, dirigente responsável pela reforma, sintetizou a filosofia subjacente ao projeto: "Audiência primeiro, receita depois." Esta máxima reflete a prioridade de construir uma audiência sólida em torno do campeonato como base necessária para gerar receita sustentável.

O responsável detalhou o modelo de distribuição financeira: "A estratégia é criar um bolo de receitas com este parceiro que está disposto a investir no Super XV. Já negociámos prémios monetários fixos, um valor para cada época, mas, a partir do terceiro ano deste plano de negócios, 30% da receita reverte para os clubes a título de prémio em dinheiro. Pela primeira vez, haverá dinheiro a entrar nos clubes pela participação."

Morais revelou também a intenção de posicionar a final four como evento de cidade, com atividades expandidas para lá do futebol. "Queremos anunciar cidades anfitriãs onde se possa organizar todo um evento com uma autarquia. Uma semana de râguebi, entre as meias-finais e a final, com debates, mesas redondas e atividades que possam trazer novos públicos para a modalidade."

Porque é que isto importa

A reforma representa um ponto de viragem crítico na sustentabilidade financeira dos clubes portugueses de râguebi. Durante décadas, as agremiações funcionaram com modelos de financiamento dependentes de sócios, mecenato e receita de bilhética muito limitada. A introdução de um fluxo de receita estruturado, ancorado num parceiro comprometido e numa estratégia de conteúdos audiovisuais, oferece aos clubes uma base previsível de rendimento.

Esta mudança força igualmente uma profissionalização de gestão operacional, desde a produção de conteúdos até à operacionalização de eventos. Expõe os clubes a pressões por melhor organização, comunicação e capacidade de atração de público, exigências que, até há pouco, eram periféricas para muitas agremiações.

O que vem a seguir

Os próximos meses serão cruciais para a consolidação do projeto. O anúncio das cidades anfitriãs da final four constitui uma etapa fundamental, determinando a escala e ambição do evento inaugural sob o novo formato. A confirmação pública da identidade do parceiro tecnológico, bem como a definição pormenorizada do calendário de transmissões em streaming — incluindo horários, conteúdos ancilares e estratégia de promoção — definirá a capacidade real de gerar audiência.

Para além disso, a divulgação do programa completo de atividades que acompanhará a semana da final four permitirá avaliar se o conceito de evento de cidade ganha tração junto de autarquias e comunidades. O sucesso desta reforma dependerá não apenas da qualidade do râguebi apresentado em campo, mas da capacidade de envolver ecossistemas alargados à volta da competição.

Reformulado a partir de notícia publicada por Record_Portugal. Ver artigo original ↗

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