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Ronaldo deixa seleção nacional e desafia autoridade de Jesus

Redação footballtrend·
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Foto: Record_Portugal

Cristiano Ronaldo e a Federação Portuguesa de Futebol confirmaram o abandono do estágio da seleção nacional antes do embate frente à Dinamarca. A decisão do capitão motivou a deslocação imediata de Pedro Proença a Copenhaga, cancelando a presença previamente planeada no encontro dos sub-21. O selecionador Jorge Jesus já tinha apontado Gonçalo Ramos como provável titular para a partida.

O que aconteceu

A tensão instalou-se após o encontro frente à Noruega, que sucedeu à vitória da comitiva lusa sobre o País de Gales. Cristiano Ronaldo foi suplente não utilizado em Oslo e abandonou o relvado visivelmente insatisfeito, sem cumprimentar os adeptos portugueses presentes no estádio.

A confirmação formal do afastamento surgiu depois de ambas as partes ratificarem a saída do jogador dos trabalhos da seleção principal. Com o avançado fora da concentração, Gonçalo Ramos emergiu como a escolha delineada pela equipa técnica para comandar o setor ofensivo em território dinamarquês.

A gravidade do episódio forçou a intervenção direta dos escalões diretivos federativos. Pedro Proença abdicou de acompanhar os sub-21 para rumar de emergência à capital dinamarquesa, procurando gerir o impasse antes do início do compromisso internacional.

Quem quer o quê

No plano técnico, Jorge Jesus procurou afastar leituras extremas antes da consumação do afastamento, asseverando publicamente a normalidade das sessões preparatórias. O treinador sustentou a sua hierarquia: "O estatuto não dá direito para que os jogadores sejam diferenciados dos outros. O estatuto é o respeito pela carreira deles. Coloco sempre a questão, o plano que traçar com o jogador, mas quem decide sou eu. Eles sabem disso. Quem trabalhou comigo, eles sabem, toda a gente sabe, até os presidentes sabem. No clube manda o presidente, na equipa mando eu. Com os jogadores é igual".

Em termos regulamentares, a posição federativa confronta-se com a letra estrita do seu próprio ordenamento jurídico. O Regulamento Disciplinar da FPF estabelece sanções pesadas para este tipo de conduta disciplinar no seio dos trabalhos representativos.

Com efeito, o artigo regulamentar determina que "a ausência ou o abandono determina a suspensão preventiva automática do jogador nos termos previsto no presente regulamento". Para além do impedimento imediato, o quadro normativo prescreve uma suspensão efetiva situada entre um e seis meses, complementada por uma coima de 5 a 10 Unidades de Conta para atletas profissionais.

Porque é que isto importa

O caso corporiza um dos pontos de rutura mais sensíveis no futebol contemporâneo de seleções: a convivência entre a liderança de um treinador e a influência de atletas com peso institucional acumulado. Em muitas estruturas desportivas de elite, a gestão de balneário deixa de ser estritamente tática e passa a testar a autoridade operacional dos técnicos.

Para a estrutura federativa, a situação acarreta riscos reputacionais e disciplinares consideráveis. A não aplicação das regras vigentes fragiliza o poder institucional e abre espaço para a perceção de regimes de exceção. Por outro lado, avançar com processos punitivos formais pode cristalizar fraturas internas num balneário em plena competição desportiva.

O que vem a seguir

No campo desportivo imediato, a seleção nacional mantém uma situação estável, ocupando a liderança do Grupo A4 da Liga das Nações com seis pontos. Essa margem pontual confere alguma margem à equipa técnica para responder competitivamente perante a ausência do capitão.

No campo jurídico e diretivo, o processo depende dos passos formais que a Federação Portuguesa de Futebol decida acionar. Caso o quadro disciplinar seja ativado nos termos literais, a aplicação da suspensão preventiva e o subsequente processo entre um e seis meses de castigo, acompanhado de coima, definirão a relação de forças definitiva entre a autonomia técnica e o peso dos jogadores na equipa das quinas.

Reformulado a partir de notícia publicada por Record_Portugal. Ver artigo original ↗

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#futebol#seleção