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Premier League recua na expulsão do City por risco financeiro

Redação footballtrend·
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Foto: Sky Sports

Uma comissão independente considerou o Manchester City culpado de quase todas as infrações de que vinha acusado pela Premier League. Contudo, apesar da gravidade das conclusões disciplinares, executivos da competição encaram como improvável a aprovação de uma expulsão formal por parte dos clubes rivais, devido aos danos comerciais diretos que essa decisão provocaria no ecossistema financeiro comum.

O que aconteceu

A comissão independente concluiu que o Manchester City cometeu a quase totalidade das irregularidades financeiras sob investigação. O leque de potenciais sanções disciplinares previstas nos regulamentos inclui a expulsão do campeonato, multas substanciais, perda de pontos na tabela ou a imposição de um embargo ao registo de novas transferências.

Perante a deliberação, o Manchester City reafirmou a sua posição de total inocência e comunicou que irá recorrer da decisão. A contestação formal abre uma nova fase processual no litígio institucional entre o clube de Manchester e a entidade que gere o escalão principal inglês.

Nos bastidores, dirigentes de clubes concorrentes mantêm reuniões para avaliar respostas conjuntas e ponderam a instauração de ações judiciais autónomas contra a estrutura dos actuais campeões. A discussão interna divide-se entre a punição exemplar pelas faltas comprovadas e o impacto sistémico que uma sanção máxima produziria nas receitas de toda a competição.

Os números

No plano dos factos apurados, a comissão independente deu como comprovadas 114 infrações, correspondendo a todas as alegações menos uma, do total de 115 acusações formuladas pela Premier League. Permanece por esclarecer qual foi a acusação isolada da qual a agremiação acabou ilibada.

No domínio institucional, a consumação de um afastamento definitivo depende de regras estatutárias exigentes. São necessários 15 clubes para aprovar a expulsão deliberada de um concorrente em assembleia geral da prova, uma fasquia considerada inalcançável face aos interesses mercantis cruzados que unem os emblemas participantes.

Caso o afastamento se concretizasse nos termos regulamentares, a Premier League passaria a funcionar com apenas 19 clubes. A exclusão de um membro influente provocaria a interrupção imediata de receitas calendarizadas e obrigaria à redistribuição de compromissos contratuais firmados a nível global.

Dois dirigentes de clubes de topo ouvidos pela Sky Sports corroboraram o pessimismo quanto a uma votação favorável ao banimento desportivo. A posição sustentada pelos operadores baseia-se na perda objetiva de tração financeira dos seus próprios orçamentos de exploração.

Porque é que isto importa

A eventual exclusão de uma equipa com a projecção do Manchester City ameaça desestabilizar as bases dos contratos de direitos televisivos internacionais da liga. A ausência de jogos no calendário e a diminuição da quantidade de confrontos entre potências desportivas ativariam cláusulas contratuais de penalização pecuniária imediatas.

O corte nas emissões para 19 clubes obrigaria os operadores a exigir reembolsos milionários relativos aos pacotes previamente vendidos. A quebra de faturação agregada recairia de forma proporcional sobre a totalidade das sociedades anónimas desportivas que compõem o principal escalão britânico.

Essa preocupação patrimonial foi resumida por um dirigente de topo da indústria: "Se o Man City fosse expulso, isso teria consequências comerciais massivas para todos na liga e, em última análise, custaria imenso dinheiro aos outros clubes", apontou um Executivo anónimo da Premier League. A sustentabilidade económica sobrepõe-se, assim, à severidade desportiva punitiva.

As consequências de um vazio no calendário abalariam igualmente os patrocínios centrais negociados sob a premissa de um formato integral com vinte formações. O cálculo corporativo prevalece sobre as pretensões de castigo definitivo das restantes agremiações.

O que vem a seguir

O Manchester City formalizará o recurso legal junto das instâncias disciplinares competentes assim que a sanção inicial for estipulada em detalhe. Os procedimentos preveem a análise de articulados em tribunais arbitrais antes da execução de qualquer despromoção compulsiva ou retirada de pontos.

A frente litigiosa ameaça expandir-se também para o foro das empresas parceiras com ligações comerciais ao emblema de Manchester. A transportadora Etihad Airways pondera intentar uma ação legal contra a própria Premier League para acautelar os seus direitos contratuais e reputacionais.

Resta determinar a calendarização oficial em que a comissão independente divulgará o teor exato da penalização preliminar aplicável ao clube. Paralelamente, permanece em aberto a possibilidade de clubes rivais apresentarem queixas civis autónomas por lucros cessantes, fora da jurisdição disciplinar desportiva.

Reformulado a partir de notícia publicada por Sky Sports. Ver artigo original ↗

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