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Mundial 2026 bate recorde nas apostas e supera I Liga

Redação footballtrend·
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Foto: Record_Portugal

O mercado regulado de apostas desportivas à cota em Portugal atingiu um marco inédito durante a primeira metade do ano. As quantias movimentadas pelos utilizadores na internet alcançaram um pico histórico de 1.102,6 milhões de euros nos seis meses iniciais de 2026. A informação provém de um balanço oficial apresentado pelo Turismo de Portugal, através do seu Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ).

Este registo confirma a contínua expansão da liquidez do setor no espaço digital português. O crescimento foi impulsionado pelo calendário desportivo do período, com particular destaque para as competições futebolísticas de grande escala internacional. A mobilização em torno dos eventos de seleções consolidou novamente o desporto-rei como a escolha predileta dos utilizadores nacionais.

O que aconteceu

A distribuição temporal dos montantes apostados revelou um andamento assimétrico ao longo dos primeiros seis meses. Durante o primeiro trimestre do ano, os apostadores movimentaram 587 milhões de euros nas plataformas autorizadas. Já no segundo trimestre, o volume de apostas totalizou 515,6 milhões de euros, mantendo patamares bastante elevados.

No que diz respeito à preferência pelas diferentes disciplinas, o futebol manteve uma hegemonia incontestada ao captar 69,9% do volume total apostado em Portugal. A fasquia restante dividiu-se principalmente por outras duas modalidades desportivas com forte acompanhamento: o ténis garantiu 20,5% do total, enquanto as competições de basquetebol reuniram 6% das preferências.

O principal motor de interesse futebolístico foi o Campeonato do Mundo de 2026, competição que terminou com a Espanha a sagrar-se campeã após ter afastado Portugal nos oitavos de final. A fase final do torneio planetário concentrou, por si só, 28,3% de todas as apostas realizadas na modalidade de futebol ao longo do semestre. Em contrapartida, a I Liga portuguesa assumiu um papel secundário no volume global, ao arrecadar apenas 8,3% das apostas no futebol.

Os números

A leitura analítica dos dados do regulador coloca em evidência quatro grandezas financeiras essenciais para compreender o mercado. Nunca as plataformas licenciadas no país tinham registado um montante semestral global tão expressivo quanto os 1.102,6 milhões de euros agora apurados. Este volume reflete a dimensão expressiva das quantias transacionadas através dos operadores devidamente licenciados pelo SRIJ.

No plano da rentabilidade das empresas concessionárias, a receita bruta alcançou 119,5 milhões de euros no primeiro trimestre e subiu para 125,1 milhões de euros no segundo trimestre de 2026. Este crescimento ocorreu mesmo num período em que o volume total de apostas sofreu uma ligeira contração entre trimestres, sustentando a solidez operacional das casas de apostas. Permanece por esclarecer, contudo, o montante exato devolvido aos apostadores sob a forma de prémios monetários, elemento ausente da síntese pública divulgada.

A comparação entre palcos de futebol reforça essa disparidade estrutural na liquidez mobilizada pelas massas. O Mundial2026 capturou 28,3% da atenção financeira dos apostadores na modalidade, absorvendo uma fatia substancial dos fluxos monetários nos meses de prova. Por seu lado, o principal escalão do futebol português, a I Liga, gerou apenas 8,3% do volume no futebol, ficando amplamente atrás da prova mundial de seleções.

Porque é que isto importa

A preponderância do Campeonato do Mundo sobre as provas regulares de clubes realça a capacidade que os grandes torneios de seleções têm de moldar os hábitos de consumo efémero. Historicamente, os trimestres que coincidem com grandes fases finais registam picos de novas contas e liquidez que não se mantêm lineares na retoma das competições domésticas. A concentração das atenções no mês de competição altera substancialmente a distribuição do investimento lúdico.

Importa igualmente salientar que o modelo de tributação do jogo online em Portugal assenta sobre a receita bruta das operadoras e não sobre o volume total apostado. Como as entidades exploradoras geraram 125,1 milhões de euros de margem bruta entre abril e junho, o Estado assegura receitas fiscais elevadas mesmo perante oscilações nas quantias apostadas pelos cidadãos. A retenção da liquidez num momento de pico mediático confirma que a margem do operador se sobrepõe ao ritmo do calendário tradicional.

Persiste ainda por apurar a repercussão desportiva imediata na trajetória das apostas portuguesas, nomeadamente o impacto que a eliminação prematura de Portugal frente a Espanha provocou no ritmo da segunda quinzena da prova. O afastamento da equipa nacional pode condicionar o envolvimento emocional do público, ainda que a atratividade da competição se tenha sustentado até à coroação espanhola.

O que vem a seguir

Com a conclusão da grande prova internacional de seleções, o mercado nacional de apostas prepara-se para depender estritamente do ritmo semanal das ligas de clubes e dos torneios continentais no segundo semestre. Este período servirá para avaliar em que medida a liquidez extraordinária observada se consegue consolidar na rotina desportiva comum ou se os valores recuam para os patamares pré-torneio.

O SRIJ continuará a monitorizar o comportamento das entidades exploradoras e a proteção dos utilizadores perante eventuais variações bruscas de volume no setor regulado. O desempenho da nova época da I Liga terá de provar a sua capacidade de reconquistar a quota perdida no futebol nacional.

Reformulado a partir de notícia publicada por Record_Portugal. Ver artigo original ↗

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#futebol#mercado#seleção