Kane assina golo 87 e força Tuchel a procurar novos planos

Foto: BBC Sport
Harry Kane marcou o seu 87.º golo internacional contra a República Checa, numa terça-feira de Nations League. Faltam-lhe apenas dois jogos para igualar o recorde de Peter Shilton, que totalizou 125 internacionalizações pela Inglaterra. Kane, com 33 anos, segue determinado em tornar-se o jogador mais internacionalizado da história inglesa.
O que aconteceu
O avançado do Bayern Munich alcançou um novo marco pessoal ao marcar contra a República Checa. Shilton permanece como referência máxima em caps internacionais, um recorde do qual Kane se está a aproximar rapidamente. Tuchel mantém Kane como peça central do projeto inglês, mas começou a testar alternativas táticas.
Bellingham foi colocado como número 9 durante o encontro, numa experiência de Tuchel para encontrar diferentes soluções no ataque. O treinador procura opções para o futuro, ainda que reconheça o impasse em que se encontra. Watkins e Toney, ambos próximos dos 30 anos, ficaram excluídos desta janela de Nations League. Calvert-Lewin está a aproximar-se também da marca dos 30 anos. Delap, por seu lado, é o único avançado inglês com menos de 27 anos que já marcou na Champions League.
As declarações de Tuchel
O técnico foi claro sobre a dificuldade em substituir Kane. "Não vão conseguir outro Harry Kane, em primeiro lugar", afirmou, reconhecendo que o avançado é um "pacote completo". Sobre a natureza dessa completude, Tuchel explicou que Kane é "o primeiro a empurrar toda a gente e essa é a sua mentalidade e tornou-se um avançado muito, muito trabalhador além das suas capacidades de finalização. É um pacote completo."
Quanto à procura de alternativas, Tuchel admitiu estar a explorar possibilidades. "Procuramos diferentes opções e soluções. Terminamos o jogo com Jude [Bellingham] na frente como número 9", disse, justificando a experiência porque "Gosto dele como número 9. Depois pode contribuir para ambos os lados e sobrecarregar os flancos sem afetar tanto o equilíbrio."
Mas o treinador foi ainda mais direto sobre o futuro: "Haverá alguém, mas não será Harry ou uma cópia de Harry. Encontraremos uma solução quando chegar a altura, mas talvez não eu. Podem ser mais 10 anos." A perspectiva, portanto, é a de uma transição geracional que se estenderá bem para lá do seu mandato.
Porque é que isto importa
Kane representou, durante quase uma década, a certeza inglesa no ataque. O seu recorde aproxima-se não apenas por números, mas porque simboliza uma era. A estrutura de uma seleção nacional assenta na disponibilidade de marcadores de classe mundial, uma mercadoria rara na futebol moderno. A Inglaterra enfrenta agora um paradoxo: tem um avançado de topo absoluto a terminar o seu pico, e vários candidatos numa faixa etária que sugere retrocesso simultâneo.
A dependência de um único jogador é um risco estrutural que Tuchel conhece. Quando Kane faltar por lesão ou desgaste, a seleção fica vulnerável. A experiência com Bellingham e a exploração de Delap revelam uma procura ainda em curso, sem horizonte claro. Isto importa porque estabelece o tom do que a Inglaterra pode esperar nos próximos ciclos: um projecto em reconstrução, não em consolidação.
O que vem a seguir
Kane continua a apenas dois jogos de distância do recorde de Shilton. Se manter-se disponível e em forma, essa marca cairá dentro de semanas. O passo seguinte será consolidar a posição como maior internacionalizado inglês de sempre, um feito que fechará um capítulo pessoal.
Para Tuchel, a tarefa é mais complexa. Precisa de encontrar soluções táticas que não dependam exclusivamente de Kane, enquanto o tempo não corre a seu favor. A janela de oportunidade para experimentar alternativas é limitada, e a pressão por resultados em Nations League reduz essa margem ainda mais. A sucesso da renovação defensiva inglesa nos próximos dois anos determinará se a transição será uma inflexão menor ou um vazio competitivo.
Reformulado a partir de notícia publicada por BBC Sport. Ver artigo original ↗