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Inglaterra de Tuchel ganha nova forma sem abandonar a ideia base

Redação footballtrend·
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Foto: BBC Sport

Thomas Tuchel não está a reconstruir a Inglaterra do zero. Depois do Mundial, o selecionador manteve os princípios centrais do modelo, mas introduziu ajustes na construção, na ocupação dos corredores e na forma como a equipa cria superioridades em posse. O resultado é uma versão mais dinâmica e menos dependente de ações individuais.

A ideia continua a mesma

Desde que assumiu a seleção, Tuchel tem insistido numa equipa capaz de sair curto desde trás, atrair pressão e acelerar quando encontra espaço.

Esse princípio não mudou. O que mudou foi a forma como a Inglaterra organiza os jogadores para executar a ideia.

Durante o Mundial, a construção dependia sobretudo de dois centrais e um médio defensivo. Agora, Tuchel acrescentou um quarto elemento nessa primeira fase, criando estruturas que alternam entre 2-2 e 3-1.

A mudança dá mais linhas de passe e reduz a facilidade com que os adversários conseguem pressionar homem a homem.

Anderson ganha liberdade

Elliot Anderson era muitas vezes o jogador mais recuado do meio-campo. Com Alex Scott ou Myles Lewis-Skelly a participarem na saída, Anderson passou a ter maior liberdade.

Em alguns momentos, baixa para formar uma linha de três com os centrais. Noutras situações, avança para zonas mais altas, protegido pelo parceiro do meio-campo.

Essa versatilidade permite que receba de frente e use o passe vertical para acelerar o ataque.

Tuchel considera que a equipa acrescentou uma nova camada de intensidade, não apenas sem bola, mas também em posse.

Mais jogadores perto da bola

Outra alteração aparece nos corredores. No Mundial, a Inglaterra utilizava triângulos relativamente definidos entre lateral, médio e extremo.

A nova estrutura aproxima mais jogadores da mesma zona. O central do lado da bola pode juntar-se à circulação, o lateral dá largura e o extremo entra por dentro, enquanto um médio ou avançado também aparece em apoio.

Isso cria superioridade numérica e melhora o contra-pressing caso a equipa perca a bola.

Ao carregar um lado do campo, a Inglaterra também força o adversário a deslocar mais jogadores para essa zona, abrindo espaço para mudanças rápidas de corredor.

Gordon e Kane tornam-se exemplo

A relação entre Anthony Gordon e Harry Kane mostra bem a evolução.

Gordon jogava muitas vezes colado à linha, procurando receber nas costas da defesa. Agora, com Lewis Hall a garantir largura, o extremo pode ocupar zonas interiores durante mais tempo.

Quando Kane baixa para receber, Gordon ataca o espaço deixado nas costas do central. A combinação aproveita uma característica conhecida do capitão inglês: sair da área para criar espaço para quem vem de trás.

Esse princípio já era usado com Jude Bellingham ou Morgan Rogers, mas Gordon tornou-se um dos principais beneficiários.

O problema do lado direito

A direita continua menos definida. Trent Alexander-Arnold oferece qualidade de passe, mas Tuchel exige movimentos constantes além da última linha.

O selecionador reconheceu que Trent não é naturalmente um jogador de sobreposições repetidas. Por isso, procura uma combinação que evite que o lado direito fique estático.

Quando Trent dá largura, Bukayo Saka pode atuar por dentro. Quando outro jogador ocupa a faixa, Saka volta a partir de fora.

A solução ainda está em construção e pode determinar quem será titular nessa zona nos próximos jogos.

Porque importa

A Inglaterra foi muitas vezes acusada de ter jogadores de elite sem uma estrutura suficientemente clara.

Tuchel parece caminhar no sentido contrário: prefere definir princípios coletivos e depois escolher os jogadores que melhor os executam.

Isso significa que reputação individual pode pesar menos do que adequação ao modelo. Um jogador tecnicamente brilhante pode perder espaço se não oferecer os movimentos exigidos pelo sistema.

Evolução, não revolução

A versão atual da Inglaterra não rompe com aquilo que foi tentado no Mundial. É uma continuação mais refinada.

A equipa continua a sair curto, a atrair pressão e a procurar acelerar depois. A diferença está no número de soluções, na ocupação mais agressiva dos espaços e na intensidade para recuperar a bola imediatamente após a perda.

Tuchel parece ter passado da fase de definir uma identidade para a fase de a aperfeiçoar. A próxima etapa será provar que essa evolução funciona quando o nível do adversário subir e houver menos espaço para experimentar.

Reformulado a partir de notícia publicada por BBC Sport. Ver artigo original ↗
Também noticiado por: BBC Sport.

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#futebol#seleção#análise