García Plaza expõe remendos e carências táticas do Sevilha

Foto: MARCA
Com 189 dias cumpridos no comando técnico do Sevilha, Luis García Plaza expôs de forma crua as dificuldades da sua passagem pela Andaluzia em entrevista ao Canal Sur Radio. O treinador assumiu que a luta direta pela manutenção exigiu medidas de exceção. "Foi o mais intenso que vivi na minha vida num espaço curto de tempo", confessou o técnico sobre o período mais crítico vivido pelo clube.
O que aconteceu
A caminhada de García Plaza começou com quatro vitórias nas primeiras sete partidas, permitindo à equipa aproximar-se da salvação. Contudo, a derrota em Pamplona representou um revés agudo na luta pela permanência em La Liga. Nos bastidores, a estabilização institucional também sofreu entraves, dado que a venda do clube não se concretizou a 30 de maio, como estava previsto.
O plano desportivo seguinte passou pela renovação do balneário, procurando integrar elementos com uma mentalidade diferente. A gestão do plantel foi, no entanto, condicionada por múltiplos desajustes na preparação e no mercado de transferências. Miguel abandonou o conjunto, enquanto Rubén esteve ausente e Alfon não realizou a pré-temporada.
Oso saiu na véspera de um encontro, num ciclo em que a formação somou seis pontos em nove possíveis. Já Fofana foi assegurado à última hora do mercado, cerca das 10:30, numa janela de transferências com movimentações no limite dos prazos.
O impacto tático
A saída de Oso desfez uma dinâmica importante na estrutura da equipa, onde o jogador funcionava como quinto defesa. Esse perfil específico acabou por não ter um substituto com as mesmas características dentro do grupo. Ao mesmo tempo, a procura no mercado por um médio de posição 6 ou 4 não foi plenamente preenchida com a chegada de Fofana, visto como um jogador de nível diferente.
Estas carências obrigaram García Plaza a soluções táticas pontuais no setor intermédio. Os dois primeiros jogos foram ganhos com Nico e Manu a atuarem como médios titulares. Mais tarde, com a indisponibilidade de Kochorashvili, o técnico colocou Guridi a desempenhar o papel de médio 8.
A integração de novos valores acrescentou outros contrastes à estrutura do plantel. Robbie chegou oriundo de uma liga inferior, enquanto Lucas foi chamado à seleção sub-21 espanhola, gerando diferentes níveis de rodagem competitiva dentro do grupo de trabalho.
Alguns elementos mais experientes, como Odysseas, Suazo, Castrín, Kike, Agoumé e Miguel Sierra, permaneceram desde a época passada. Ainda assim, a equipa continuou a revelar limitações evidentes na consolidação do modelo desejado pela equipa técnica.
Porque é que isto importa
O Sevilha atravessa uma fase de desaceleração técnica provocada pela crise financeira e diretiva, distanciando-se dos lugares europeus habituais na última década. A massa adepta no Ramón Sánchez-Pizjuán mantém padrões de exigência elevados, incompatíveis com abordagens puramente pragmáticas. O clube depende do rendimento imediato no relvado para evitar perdas orçamentais críticas decorrentes de descidas de divisão ou ausências de competições continentais.
O abismo entre os pergaminhos da instituição e os recursos disponíveis no terreno condiciona toda a margem de manobra do banco. Quando uma estrutura não garante alvos definidos para a posição de pivô defensivo, o treinador fica limitado a soluções de recurso. O impacto direto sente-se na perda de equilíbrio em transição e na incapacidade de ditar ritmos em posse.
Sem a resolução dos dossiês societários que travam o investimento a médio prazo, a equipa técnica opera num estado constante de contenção de danos. A distância entre a ambição do emblema andaluz e as ferramentas entregues no balneário ameaça perpetuar a instabilidade tática.
O que vem a seguir
A prioridade de Luis García Plaza foca-se na recuperação plena da condição física dos seus atletas após a pausa competitiva. Vargas encontra-se num processo de recuperação devido a problemas físicos que o afastaram da plena utilização. Por sua vez, Castrín superou um problema no púbis sofrido no verão e apresenta já um rendimento positivo nos trabalhos da formação sevilhana.
A equipa técnica terá de rentabilizar os treinos para desenhar automatismos fiáveis na zona central do terreno. O equilíbrio do meio-campo dependerá do encaixe tático das alternativas encontradas para responder à ausência de reforços posicionais de raiz. As semanas seguintes de competição em La Liga vão ditar se estas opções garantem a tranquilidade pontual necessária.
Reformulado a partir de notícia publicada por MARCA. Ver artigo original ↗