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Etihad processa Premier League e trava caso do Man City

Redação footballtrend·
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Foto: Record_Portugal

A transportadora aérea Etihad pondera avançar com uma ação judicial formal contra a Premier League na sequência do processo financeiro instaurado ao Manchester City. A companhia sediada nos Emirados Árabes Unidos contesta os termos do processo e afirma rejeitar qualquer prática ilícita nas suas parcerias desportivas.

Em declarações oficiais sobre o caso, a empresa sublinha que "rejeita categoricamente qualquer investigação, conclusão ou implicação que sugira que a empresa esteve envolvida em acordos comerciais impróprios". A posição marca uma escalada institucional no litígio regulatório que envolve o emblema de Manchester.

O que aconteceu

Uma comissão independente declarou o Manchester City culpado de graves violações aos regulamentos financeiros ao longo de um período de nove épocas, compreendido entre 2008/09 e 2017/18. O processo apontou a obtenção de um benefício financeiro ilegal superior a 1.000 milhões de euros decorrente da alegada declaração de receitas comerciais inflacionadas durante os referidos exercícios.

A ligação formal entre a companhia aérea e a estrutura do clube tem raízes institucionais estabelecidas há vários anos. A transportadora detém os direitos de denominação do estádio do clube de Manchester de forma ininterrupta desde 2009, constituindo um dos contratos mais antigos em vigor no futebol inglês.

Face às conclusões anunciadas pelo painel independente, o Manchester City dispõe agora de um prazo formal que se estende até ao dia 2 de outubro para submeter recurso da decisão. A transportadora manifestou publicamente o seu desagrado com o teor das alegações promovidas pelas instâncias desportivas da liga inglesa.

"A Etihad está muito preocupada com a forma como o assunto foi divulgado publicamente. A falta de clareza e transparência, somada à divulgação seletiva de informações, prejudicou a Etihad. A Premier League deve assumir as consequências da forma como essa investigação foi apresentada", vincou a administração da companhia em comunicado emitido.

As peças em jogo

O diferendo coloca em confronto direto três estruturas com pesos e responsabilidades regulatórias distintas. Por um lado, a Premier League atua enquanto entidade organizadora da prova máxima do futebol britânico, incumbida de fiscalizar o cumprimento das normas orçamentais e garantir a igualdade desportiva e financeira entre todos os seus membros filiados.

No polo oposto figura o Manchester City, sujeito às decisões disciplinares e ao calendário sancionatório estipulado pela respetiva comissão independente. O clube arrisca sanções severas caso o veredicto de nove anos de infrações financeiras e proveitos acima de 1.000 milhões de euros seja homologado após a fase de recurso.

Por último surge a própria Etihad, que até agora desempenhava estritamente o papel de patrocinador comercial do estádio e do equipamento. Ao sentir o seu bom nome comercial exposto num dossiê sancionatório, a empresa ameaça romper as fronteiras do direito desportivo e transportar o diferendo para a justiça comum através de um processo litigioso de contornos inéditos.

Porque é que isto importa

A entrada de um patrocinador comercial num litígio desta natureza altera profundamente os equilíbrios de poder e a gestão de risco nas competições de topo. Historicamente, os regulamentos financeiros dos campeonatos operam numa esfera disciplinar fechada, onde os litígios se resolvem no âmbito de painéis arbitrais e sem a intervenção de terceiras entidades que não disputam os torneios.

Ao ser colocada em causa a legitimidade das verbas pagas e ao suscitar-se a suspeita de transações comerciais inflacionadas, os patrocinadores externos enfrentam danos imediatos de reputação nos mercados internacionais. Para marcas multinacionais cotadas ou detidas por fundos soberanos, a associação a supostas simulações orçamentais acarreta consequências graves de imagem perante parceiros e reguladores económicos globais.

Se a Etihad concretizar a intenção de levar a organização da Premier League a tribunal por danos de reputação comercial, abre-se uma via litigiosa de consequências imprevisíveis para as ligas desportivas. As entidades organizadoras passariam a responder em tribunais cíveis comuns sempre que as suas conclusões de auditoria tocassem na idoneidade de marcas privadas, elevando exponencialmente o custo legal e a exposição patrimonial de qualquer ação de fiscalização regulatória.

O que vem a seguir

O calendário imediato do processo centra-se no dia 2 de outubro, limite temporal concedido ao Manchester City para formalizar a sua contestação ao veredicto da comissão disciplinar. Paralelamente, permanece por esclarecer que medidas legais concretas a transportadora aérea irá acionar caso decida avançar com a referida ação contra a liga.

Está igualmente por determinar em que tribunais específicos a Etihad apresentará a sua queixa formal, uma vez que litígios cíveis desta dimensão envolvem complexas questões de jurisdição comercial. Fica por esclarecer se outras empresas e parceiros comerciais visados nas conclusões disciplinares relativas aos exercícios em causa ponderam avançar com idênticas exigências jurídicas contra a organização do campeonato inglês.

Reformulado a partir de notícia publicada por Record_Portugal. Ver artigo original ↗

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#futebol#premier league