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Benfica cede perante Bayern e expõe limite europeu

Redação footballtrend·
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Foto: Record_Portugal

No Estádio da Luz, em Lisboa, a receção do Benfica ao Bayern Munique saldou-se num desaire por 0-3, a contar para a segunda ronda da fase de liga da Liga dos Campeões feminina. Ivan Baptista, técnico encarnado, expressou sentimentos divididos no final: a amplitude do resultado pesa, contudo a convicção de que a turma lisboeta conseguiu «causar incómodo e perturbação ao Bayern» atenua o sabor da derrota.

O que aconteceu

O jogo começou equilibrado. Com bola, o Benfica funcionou bem nos primeiros minutos, mas perdeu critério conforme os minutos passavam. O Bayern não correu riscos desnecessários e esperou pela oportunidade. Aos 74 minutos, as alemãs abriram o marcador — o primeiro golo transformou-se numa alavanca psicológica decisiva.

Depois disso, o Benfica teve de se expor. Numa partida tão fechada até então, essa necessidade de atacar criou espaços que o Bayern aproveitou para ampliar a diferença. Pauleta tinha sofrido um toque durante o primeiro tempo e acabou por ser rendida ao ressentir-se no regresso dos balneários. O treinador benfiquista esclareceu a opção lembrando que a atleta «ressentiu-se no início da 2.ª, há riscos que não precisamos de correr com opções que temos».

Na segunda parte, o Benfica entrou com personalidade. A equipa criou duas ocasiões de golo claras, sinais de que não desistiu da luta apesar do marcador já desfavorável. Mas a falta de eficácia custou caro numa competição onde a margem de erro é quase inexistente contra adversários deste calibre. O Bayern fechou o jogo com o terceiro golo, selar um resultado que deixa questões sobre a capacidade defensiva do projeto português.

Impacto tático: onde o Benfica se quebrou

O minuto 74 marcou o ponto de rutura. Até lá, apesar do Bayern ter domínio territorial, o Benfica aguantava com disciplina defensiva. O primeiro golo desestabilizou emocionalmente a equipa — segundo Ivan Baptista, «acusámos demasiado o primeiro golo». Com o resultado desfavorável, a matemática força o atacante a procurar o empate, mas num jogo desequilibrado em qualidade técnica, abrir o bloco defensivo é sinónimo de convite ao desastre.

A substituição de Pauleta na primeira parte reflete bem o dilema em que Baptista se encontrava. A jogadora havia sofrido um toque, mas o risco de a manter em campo, dado o seu estado físico ou a necessidade de precaução, justificou a mudança. É uma decisão que ilustra como equipas em construção europeia, com recursos limitados, não podem permitir-se luxos táticos quando enfrentam gigantes. A estratégia defensiva do Benfica dependia de todos os seus elementos no máximo de disponibilidade.

Apesar das duas ocasiões na segunda parte, a qualidade da finalização não acompanhou a intenção. O Bayern, mesmo aos 0-0, era o favorito; aos 0-1, tornou-se praticamente inalcançável. A partida reflete um padrão comum em equipas portuguesas na primeira década de participação europeia: competência defensiva insuficiente contra top europeus quando o cenário exige transições rápidas e pressão sustentada.

Porque é que isto importa

Na fase de liga da Champions feminina, cada jogo funciona como bússola. Uma derrota 0-3 penaliza mais que qualquer outro resultado porque reduz drasticamente o diferencial de golos num formato onde todos jogam contra todos. Para uma equipa como o Benfica, em construção e a tentar legitimar-se na competição, este tipo de resultado abre uma ferida profunda nas contas da classificação.

Mas o contexto salva o discurso. O técnico das águias fez questão de salientar a «ambição tremenda» demonstrada pelo seu grupo, salientando o peso de conseguir alvejar a baliza adversária por duas vezes perante uma formação de topo continental. O Bayern Munique figura habitualmente entre os maiores candidatos ao troféu europeu e o teste revestia-se de elevada exigência. A fragilidade defensiva do Benfica é real, mas a capacidade de causar transtorno também existe. Uma derrota desta magnitude suspende a ilusão de igualdade europeia num projeto que ainda mede anos em participações.

O que vem a seguir

O Benfica necessita de urgência nos próximos compromissos. Uma derrota 0-3 deixa um défice de golos que exigirá vitórias largas noutros confrontos da fase de liga. Cada ponto disponível torna-se crítico, cada oportunidade perdida une-se a esta para formar um padrão de incapacidade.

Antes do próximo encontro europeu, Baptista tem de reorganizar as prioridades defensivas. O padrão que se desenhou aqui — desequilíbrio tático quando forçado a abrir o jogo, substitucionalidade limitada em situações de pressão — precisa de soluções. Não há margem para corrigir imperfeições contra adversários desta envergadura. O Bayern mostrou que pequenas frestas táticas tornam-se abismos quando existe qualidade para as explorar.

Reformulado a partir de notícia publicada por Record_Portugal. Ver artigo original ↗

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#futebol#liga dos campeões#lesão